Nem sempre escrevemos o que queremos. Há momentos em que o que sentimos sobrepõe-se aos nossos desejos. Assim aconteceu, quando comecei a escrever este livro. O sentimento foi mais forte que o desejo. Resolvido o conflito, consegui a tranqüilidade e o prazer de compartilhar com o leitor um pouco do que sinto sobre as questões envolvidas no tema de cada capítulo.

Não me moveu construir uma seqüência ou da um caráter didático à apresentação das minhas reflexões.

Foi isso que, sem o saber, desejei fazer: refletir sobre a vida-de-relação, olhando-a sob o prisma das manifestações afetivas.

Quis falar sobre o amor e não pude evitar falar sobre o desamor. Quis falar sobre a vida e não pude deixar de falar sobre a morte. Insisti em acentuar a importância do prazer e me vi lembrando os momentos de dor.

Isso indica que não podemos enxergar a vida com os olhos da unilateralidade. A vida plena é uma composição de luz e sombra, onde a sombra ressalta a luz, que, por sua vez, convive com a sombra para exibir o seu lado iluminado.

Cada capítulo pretende ser apenas um estímulo para fazer desabrochar o potencial que o leitor tem dentro de si, esperando apenas o desejo de viver a plenitude a que tem direito. Para isso é preciso não apenas coragem de viver, ,mas coragem de amar enquanto se vive.

Sumário:

  • Amor futuro não tem futuro
  • Paciência não tem limite
  • A felicidade não começa amanhã
  • Tentar é preciso
  • As novidades do museu
  • Julgamentos desnecessários
  • Excluídos ou quase excluídos
  • Soprando brasas
  • A esperança da semente
  • Solidão sem sofrimento
  • Liberdade de caminhar
  • Perdas e ganhos
  • Diferenças e indiferenças
  • A vida pelo lado de dentro
  • Máscaras e mascarados
  • A luz das estrelas mortas
Destaques:

Perdemos tempo buscando o amor - ele está dentro de nós. Ao invés de procurá-lo, ofereçamo-lo aos que estão ao nosso redor, porque, dessa forma, estaremos dando livre curso a um potencial inesgotável. O amor está em nós sem que o tenhamos criado. A inconsciência desse fato nos deixa em um vazio difícil de suportar. As pessoas podem preencher em nós algumas necessidades importantes, mas não o vazio da nossa vida.
Ninguém será tão pouco humano que não tenha um mínimo de amor para viver e ajudar a viver.

Quando negamos amor, apontamos o caminho da doença. Podemos até sermos justos sem amar, mas não podemos amar sem ser justos. Quem deixa o amor para amanhã, vive o desamor no dia de hoje.
Não aprendemos a amar através de instruções, mas sim na medida que somos amados pelas pessoas com quem convivemos. É por isso que o amor está indissoluvelmente ligado ao presente e não ao futuro.

Somos humanos, portanto, irritáveis. Somos pessoas, portanto, individualistas. Sendo humanos e pessoas somos falhos e limitados. Por essa razão, o exercício do amor e da paciência minimizarão as distorções da nossa visão do outro, até porque, quando temos consciência da existência do outro como outro, tomamos consciência de que existimos como pessoas. É a percepção que temos do outro que nos encaminhará na compreensão mais profunda de nossa humanidade. Ao final das contas, a paciência com o outro se refletirá na paciência conosco mesmos.

Qualquer coisa que acrescentamos a nós não muda nossa essência pessoal. É o que está nas profundezas de nossa alma que dá sentido ao que nos é incorporado. As pessoas felizes transformarão em felicidade o que é agregado ao seu acervo de conhecimentos e vivências pessoais.
A felicidade não é a mesma coisa que o prazer. O prazer é momentâneo, circunstancial, enquanto a felicidade prescinde do prazer ocasional. Ela poderá incluir o prazer, mas não se restringirá aos momentos de satisfação produzidos por circunstâncias específicas.

Ao nos avaliarmos por nossos fracassos e derrotas, estaremos deixando de lado a parte mais importante de nós mesmos: nossa história, nossas conquistas e tentativas, nossos planos e projetos e todas as fantasias que podemos engendrar para fazê-las, o quanto possível, uma realidade da nossa biografia.
Somos maiores do que os nossos problemas, simplesmente, porque eles estão dentro de nós e não nós dentro deles. Sem dúvida, há em nós muito mais força do que a força dos problemas que tentam intimidar-nos com suas sombras ameaçadoras.

Vivemos de milagres - a vida é um milagre. E fazemos parte desse milagre. Vivemos de amor - e o amor, sem dúvida, é o grande milagre da vida.

Nada do que fazemos, fazemos em vão. Muitas vezes, interpretamos alguns comportamentos como inócuos, ineficientes, improdutivos. Por que não olhá-los de uma forma mais abrangente, deixando aflorar as coisas boas que eles significam? Diante de nós haverá sempre uma luz, como do lado contrário haverá uma sombra. As sombras, no entanto, não deveriam amedrontar-nos, porque são a comprovação legítima da luz que existe do outro lado.


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