| Fui guiado pela honestidade de dizer o que
sinto e fazer do jeito que acho melhor. Tentei. Quis dizer o que,
poucas vezes, se diz ao adolescente. A idéia foi pensar e
sentir juntos o que acontece nesse momento tão importante
da vida.
Minha idéia não foi tratar das coisas que acontecem no mundo em
que ele vive, mas daquilo que acontece em sua mente e no seu coração.
Enfim, achei que era preciso ajudar a compreender sentimentos, dúvidas,
medos, fantasias, desejos, angústias, tristezas e alegrias.
Por que tudo isso acontece? Para percorrer esse caminho entendi
que era fundamental falar sobre as coisas do amor.
Não iremos, apenas pensar, mas também sentir, porque
o que escrevi é fruto (doce ou amargo) daquilo que vivemos
em uma etapa tão importante quanto difícil e delicada
do desenvolvimento humano.
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Nós, os adultos, devemos reverenciar o adolescente que fomos. Sem
ele não estaríamos aqui, lutando, na busca de um sentido de
viver, nem resistindo às ameaças da morte de todo o dia. Heróis
– se é que podemos chamar – não fomos nós.
Heróis foram os adolescentes que se prepararam, às duras penas,
para tentar a forma adulta de ser.
Os maiores têm, hoje, o dever e a oportunidade de apoiar e amparar
os menores nos seus esforços para se construírem. Honestamente,
não saberei dizer quem são os maiores. Provavelmente, aqui,
os menores é que são, verdadeiramente, os maiores.
Sumário:
- Sou um tentador
- O O Amor Que A Gente Sente
- Uma mudança de rumo
- As fantasias do contra
- E as palavras que não saem!
- Amor, posse e confiança
- Eu mudo ou nós mudamos?
- O ritmo
- A paciência
- As perdas
- Ficar sozinho
- Sim e não
- Complementaridade
- O vazio
- Dar ou receber
- A conquista
- A solidão
- Conhecer a si mesmo
- Os outros são uma ameaça
- A timidez
- O medo da sexualidade
- Experimentar o diferente
- O dia do fico
- Por que ninguém me compreende?
Destaques:
Há momentos em que o silêncio é insubstituível
no encontro de duas pessoas. É nesse momento que se olham, nos olhos,
e deixam transparecer todo o amor do mundo.
As palavras são boas quando ditas com propriedade e, igualmente,
boas quando as silenciamos por não saber dizê-las, no momento
em que a emoção as sufoca. Às vezes, o silêncio
transmite o que sentimos com a perfeição que não cabe
nas palavras, mesmo aquelas cheias de toda a poesia.
O silêncio não existe, apenas, pela ausência do que dizer.
O silêncio é também uma forma de a gente falar. De respeitar.
De preservar. De acariciar. De tornar eterna a palavra que não se
ousou dizer. Afinal, para que palavras, se o silêncio é a confirmação
de todas as palavras que não sabemos dizer? Talvez sejamos mais sábios
quando entendemos o silêncio do que quando compreendemos as palavras.
Não precisamos ter medo de nos encontrar com nossas características
pessoais, mesmo que não nos agradem. Somos o conjunto de todas as
nossas originalidades. Não podemos perder a noção do
conjunto. Avaliar uma pessoas apenas por uma parte do que ela é,
torna-se uma injustiça. Ninguém é apenas um pedaço
de si (bom ou mau). E mesmo que identifiquemos algo que consideremos ruim
ou indesejável, não quer dizer que sejamos só aquele
pedaço que descobrimos. Somos o todo, o conjunto de tudo. Isso é
animador.
Sabemos que amamos, quando descobrimos em nós, pelo menos, pedaços
significativos de paciência na convivência com a pessoa que
mora em nossos sonhos e, por isso mesmo, faz parte da nossa realidade.
A paciência somada à esperança, ao respeito e à
confiança, chama-se amor.
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