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Ao perceber que grande parte do sofrimento do mundo na atualidade resulta de formas patológicas de convivência, Luiz Schettini trata dos meandros das relações interpessoais nos vários momentos do conviver, apresentando, de forma reflexiva e agradável, aspectos da trama do convívio.
O tema da convivência é de tal forma abrangente que teremos dificuldade de limitá-lo a públicos distintos. Mas da forma como é apresentado pelo autor alcança a família, a comunidade escolar e profissional, os grupos de amizade e as demais conjunções de pessoas peculiares à sociedade que queremos construir.
Viver é uma dádiva; conviver é uma conquista. Somos, portanto, responsáveis pelas formas de convivência que criamos enquanto estamos no mundo.
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SUMÁRIO
O porquê e o para quê
A coragem
Nós não é o plural de eu
A cruel interpretação do comportamento
Convivendo com as diferenças
Convivendo com os limites
Convivendo com as mudanças
Os excluídos da convivência
A impossibilidade da desculpa
Ânsia pedagógica
Arco, lança e escudo
O afeto nas relações familiares
Uma família em quarentena
Os humores e os amores
O fio de cabelo
O periscópio
O autista
Lições do meu relógio
Convivendo com as perdas
Envelhecendo
DESTAQUES
Na relação com as pessoas de nossa convivência, a coragem toma a forma de enfrentação dos riscos do acolhimento e da intimidade, pois jamais sairemos ilesos após fazermos uma escolha, seja para o bem, seja para o mal. Coragem para conquistar o antiético não é coragem, é afoiteza ditada pelo medo ou pelo egoísmo.
Nenhum educador tem de ser implacável quando se propõe a ensinar ao que não sabe ou corrigir ao que aprendeu de forma distorcida. Desaprender á mais difícil do que aprender um novo comportamento. É mais doloroso desarraigar o que se incorporou de maneira inadequada do que construir o caminho novo do aprender, e a aprendizagem é um novo aprender em que educador e educando se unem para efetuar uma transformação mútua em busca de algo maior.
Conviver com as mudanças no outro faz parte da vida em comunidade para preservar a coesão do grupo. Para isso, será necessário agir com humildade, respeito e paciência. Paciência não é tolerância. A tolerância é quase ofensiva. A paciência é amorosa.
Não se constrói convivência simplesmente com normas e leis. A letra do regulamento indica o rumo, mas não contempla a alma com suas peculiaridades de pessoa. Até a palavra clara e explícita soa contraditória quando contaminada pela acidez da alma. Colocamos nas palavras a dureza ou a ternura do nosso espírito; o rancor ou o perdão do nosso coração. O que dizemos, não é o que dizemos, é o que somos.
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