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Este livro é o primeiro de uma série de três, cujo propósito é oferecer orientações e esclarecimentos sobre os diferentes aspectos psicológicos que caracterizam o desenvolvimento infantil, desenvolvendo competências para instrumentalizar os pais a lidarem melhor com as situações do cotidiano na interação com seus filhos. Trata-se de uma proposta de capacitação pessoal para estimular uma nova percepção do papel parental e facilitar o processo de criação e educação dos filhos.
Acreditamos que, para educar satisfatoriamente os filhos, é essencial que os pais se eduquem a si mesmos. Tal como acontece com a educação das crianças a dos pais é também um processo permanente, que exige dedicação e esforço.
Em nosso entendimento, para cuidar, é preciso cuidar-se; para educar, é preciso educar-se; para amar, é preciso amar-se.
Acreditamos ser esse o único caminho possível para que os pais possam ser “bastante bons”. A sua segurança quanto a serem pais se tornará a fonte do sentimento de segurança do filho em relação a si próprio.
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SUMÁRIO
- Por que educar com afeto?
- Feto e afeto.
- O nascimento.
- A criação.
- A educação.
- O dia a dia da convivência.
- O pai.
- A alimentação.
- A chupeta e outros objetos.
- O controle dos esfíncteres.
- A cama dos pais.
- A birra.
- O medo.
- A agressividade.
- A mentira.
- Os furtos.
- O ciúme fraterno.
- De onde vêm os bebês?
- A escola.
- Os limites.
- A separação dos pais.
- Sem afeto nada feito.
DESTAQUES
No útero materno, a criança não recebe apenas os elementos de natureza biológica que propiciam sua formação corporal. Tão importante quanto os “insumos” para sua subsistência física, são os nutrientes emocionais que ajudarão o corpo físico e fisiológico a se comportar como uma pessoa na relação com as outras pessoas que comporão a comunidade humana.
É na relação afetiva da mãe com o filho ainda no útero que este se sente acolhido ou rejeitado. Essa é a preparação fundamental para o encontro com o mundo na sua diversidade de formas de aceitação e rejeição no seu dia a dia.
Na relação mãe/filho no ambiente intrauterino, sobressaem as impressões, isto é, a comunicação que se processa no âmbito do sentimento e da emoção. Após o nascimento, a ênfase se dá sobre as pressões e as expressões. Isso significa que, nas relações dos pais com o filho, após o nascimento, a ação sobre a criança passa a interferir na sua formação como pessoa. A interferência dos pais na estrutura de personalidade dos filhos está mais ligada à ação educativa, que percorre o caminho que vai das expressões (afeto, ternura, interdições, limites, etc.) às pressões (repressão, castigo, determinações unilaterais, etc.).
Educar filhos, ao mesmo tempo em que se diferencia de criá-los, é um processo que corre paralelamente à criação enquanto se fizer necessário.
Igualmente, não devemos confundir o educar com o ensinar. Embora sejam complementares, guardam uma diferença significativa. É como se ensinar fosse um movimento que vem de fora para dentro, isto é, trata-se da incorporação dos saberes que encontramos no mundo externo. Educar está na direção inversa: é reunir o potencial interno da criança e ajudá-la a dar sentido à sua relação com o mundo e as pessoas. Isso significa que nós, pais e educadores, nos apresentamos como referenciais para a estruturação do comportamento de quem pretendemos educar. Dito de outra forma: o educar implica o educar-se..
Se, por um lado, é função da mãe dar aos filhos dos dois sexos a imagem da feminilidade, na sua competência, importância, afetividade e maternidade, o pai, por sua vez, é sentido pelos filhos em sua universalidade, a transmitir-lhes o papel da autoridade suprema (apesar do fato de a autoridade diária estar muitas vezes diretamente ligada à mãe). Essa distinção entre a autoridade materna e paterna são os modelos que a criança vai internalizar, os quais lhe servirão de referência na sua relação com os outros tipos de autoridade e que irão permitir o seu ajustamento à sociedade.
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