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A adoção de filhos traz em si extraordinárias gratificações pessoais, como também apresenta algumas dificuldades peculiares. Aqui, o autor completa o trabalho que começou em Compreendendo o filho adotivo (já na 3ª edição) e aborda o tema do ponto de vista dos pais adotivos.
"O medo de amar diferenciadamente os filhos tem origem na idéia de que, para não se fazer injustiça, tem-se a "obrigação" de amar os filhos da mesma maneira e na mesma intensidade, o que é, humanamente, impossível. Ama-se de formas diferentes, pessoas diferentes. A diferença não tem a ver com quantidade, até por ser impossível quantificar as emoções. O afeto é pessoal, na sua forma, intensidade, qualidade e duração. É resultante da disposição pessoal de amar, modificada pelas características de quem amamos. Há pessoas a quem facilmente amamos, enquanto a outras amamos trabalhosamente." "No seu sentido mais profundamente existencial, o filho adotivo surge como um agente de realização e de prazer, mesmo quando sua trajetória é tumultuada e difícil. Nesse aspecto, em nada difere a filiação genética da adotiva. A filiação por adoção carrega o mito da dúvida sobre o acerto da escolha, levando muitas pessoas a assumirem uma atitude preconceituosa e, portanto, inadequada, sobre o seu futuro. Nada do que é passível de acontecer ao filho adotivo deixa de sê-lo, também, ao "filho biológico"." "Só a consciência do significado
da maternidade-paternidade vai proporcionar o ambiente de aprofundamento
da relação filial adotiva. Essa consciência implica a incorporação do
filho, como expressão da internalização do desejo e da decisão de tê-lo,
o que não pode, simplesmente, ser conquistado como o preenchimento de
uma necessidade circunstancial. Incorporar o filho significa ele "entrar
no corpo para sair do corpo" como se fosse a simbolização do processo
fisiológico de reproduzir: fecundar-gestar-parir. " ![]() Outros livros de Luiz Schettini Filho: |