Neste livro, os três estágios iniciais da biografia do filho adotivo - origem, segredo e revelação - são tratados com clareza e simplicidade, mas, ao mesmo tempo, com os detalhes necessários à compreensão dos que estão envolvidos emocionalmente na relação parental.

O livro apresenta os seguintes capítulos:

  • Amor e conhecimento.
  • Amor e imposição.
  • Amor e perda.
  • Pais biológicos.
  • Passado e futuro.
  • Adoção e insegurança.
  • O não-dito.
  • Pensamentos desnecessários.
  • Obrigatoriedade da revelação.
  • Revelação e mudança.
  • Quando revelar.
  • Condições para a revelação.
  • O mal-dito.
  • O bem-dito.
Destaques:

"Para amar o filho, não é preciso conhecê-lo, no sentido de esquadrinhar sua personalidade ou mapear seu caráter. Amamos, porque estabeleceu-se desde o início o desejo e a disponibilidade de tê-lo (não importa a forma) e querê-lo incondicionalmente."

"Todos os filhos são biológicos e todos os filhos são adotivos. Biológicos, porque essa é a única maneira de existirmos concreta e objetivamente; adotivos, porque é a única forma de sermos verdadeiramente filhos."

"O silêncio, sob a capa da preservação, deixa um halo de vulnerabilidade que propicia insegurança, desconfiança e desilusão. Nas relações interpessoais, não temos o direito de silenciar sobre as coisas que dizem respeito à vida das pessoas com quem nos envolvemos."

"Por que esconder o que está inscrito no inconsciente? Nas ligações afetivas, a comunicação transcende o consciente. É nesse encontro que ultrapassamos as barreiras do racional e mostramos um ao outro a face à qual poucos têm acesso. É nesse momento que se estabelece a verdadeira comunhão. Viver só o consciente seria pouco para quem ama. O amor também se nutre do inconsciente."

"Talvez não seja fácil amar uma criança que lembra a cada momento os que a abandonaram. O conhecimento da origem, para os pais adotivos, pode funcionar como a exumação de um fato que deveria permanecer sepultado. Esse contexto desfavorável poderá ser evitado se encararmos a família biológica como o "grupo procriativo" e a família adotiva como o "grupo criador"."

"Na relação entre pessoas que se amam, o segredo dificulta a expansão do afeto e constrói, de forma imperceptível, barreiras que, quando descobertas, nos amedrontam e nos deixam impotentes para viver uma relação honesta de amor. O receio da mudança não vale a perda da convivência, mesmo porque numa relação interpessoal afetiva, as mudanças são parte da sua dinâmica. Não podemos adotar o silêncio ou a fuga diante do fato de que a revelação é um direito do outro."

"Ter medo da mudança é ter medo da vida."

"A verdade é o fundamento sobre o qual se ergue qualquer relacionamento amadurecido. A relação entre as pessoas começa a se deteriorar a partir do momento em que elas escondem a verdade umas das outras. O silêncio sobre a verdade é o balbuciar da mentira. E a mentira distancia as pessoas, enquanto a verdade as coloca face a face. A verdade não machuca quando vem acondicionada no afeto. Quem ama anseia pela verdade, porque ela é a garantia de estar sendo respeitado. Dizer ao filho a verdade sobre sua história é mais fácil do que negá-la ou desfigurá-la, o que exigirá uma perícia que os mentirosos não possuem."

"Não basta dizer a verdade; é preciso que ela seja bem-dita."


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Próximo lançamentos: Pedagogia da Ternura pela Editora Vozes. Em breve!