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Em um mundo em que os pais, a cada dia, são ameaçados na sua autoridade pela pressão externa e pelas tensões familiares, aprender como ajudar os filhos, dando-lhes referenciais para se sentirem seguros de si e conscientes dos seus limites nas relações com as outras pessoas, é tarefa de relevância pedagógica. A repreensão com afeto é possível. Mais que isso: só com afeto é que os limites são estabelecidos com eficiência, tornando-se duradouros.
"O afeto cria um ambiente que favorece a aproximação e o encontro das pessoas entre si. Desse encontro surge a possibilidade da descoberta de semelhanças e diferenças, da identificação de afinidades e discrepâncias, podendo a partir daí, se estabelecer a expectativa de uma completação, isto é, de as pessoas se unirem não apenas por suas semelhanças e afinidades, mas também por suas diferenças e discordâncias." "Tentar entender a pessoa, dividindo-a em partes é descaracterizá-la como ser humano, até porque em cada parte está contido o todo. A relação entre as partes é de tal ordem que deixa de "existir" a parte para o todo ser percebido e sentido no que chamamos de parte. Essa noção nos mostra como a interação entre as pessoas aponta para a idéia de que o outro é imprescindível para a nossa inteireza, na acepção mais ampla deste termo. E a mãe, no momento da gestação, sendo a parte que contém a outra parte - que é seu filho - e com a qual forma um todo, é imprescindível não apenas para fornecer o "ambiente" físico e os nutrientes necessários para a formação do feto, mas também para criar o ambiente propício a um desenvolvimento psíquico sadio e positivo." "Pais e filhos reagem de forma próprias a estímulos semelhantes. Basta atentarmos para o fato de que os pais, antes de serem pais, são genitores, isto é, são os agentes geradores, formadores, no sentido físico e fisiológico. Quando se tornam pais, pelo estabelecimento de uma relação de afeto com o filho, constróem uma imagem do filho como se fosse uma "propriedade", escondida sob o manto da responsabilidade. Como responsáveis pelo filho, se permitem criar normas, estabelecer limites e indicar objetivos. Na verdade, essas iniciativas são saudáveis e até necessárias, embora tenham de ser vistas e revistas ao longo de sua aplicação para que não se perca de vista a consideração da individualidade dos filhos. Acrescente-se a isso a importância de se levar em conta a fase do desenvolvimento que eles estão vivendo. " "As diferenças individuais
são indicadores relevantes que regulam as relações interpessoais. Há dois
aspectos da formação da personalidade que não podem ser desconsiderados.
O primeiro é o da semelhança entre as pessoas. Essa semelhança é um elemento
facilitador de inter-comunicação. Sistemas semelhantes se comunicam com
eficiência. O segundo aspecto é uma decorrência do primeiro. Pelo fato
de serem as pessoas semelhantes entre si, é que, conseqüentemente, são
diferentes. " ![]() Outros livros de Luiz Schettini Filho: |