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Abordando a relação da criança com pais e professores, o autor vale-se de sua experiência em psicoterapia de crianças e adolescentes, para apontar direções e sugerir formas adequadas de ajudar os adultos no estabelecimento de relações interpessoais amadurecidas.
"É comum encontrar pais pensando que os seus caminhos são também os caminhos dos filhos. Usam, direta ou indiretamente, raciocínios, explicações e afirmações na esperança de que eles "entendam" ou "aceitem" suas ponderações. O que acontece é que as crianças silenciam e até se submetem aos desejos dos pais. Muitas vezes, no entanto, os adultos confundem submissão com convicção. As razões dos pais nem sempre fazem sentido para os filhos menores. É muito difícil para uma criança pequena manter duas idéias divergentes simultaneamente; estão totalmente a favor de uma ou de outra. Ela ainda não pode processar um raciocínio semelhante ao da pessoa amadurecida." "Insistimos no fato de que as dificuldades de aprender, em grande parte, são dificuldades de estudar. Sendo isso verdadeiro, vale a pena refletir sobre as razões desses impedimentos. Parece claro e relativamente simples que há uma falha inicial no começo da trajetória da aprendizagem escolar. Como ensinar alguma coisa à criança sem a prepararmos para receber o ensinamento e tranformá-lo em uma experiência incorporada à sua vida pessoal? As dificuldades seriam reduzidas se ensinássemos a criança a estudar. " "A aprendizagem modifica de forma irreversível a vida das pessoas, alterando sua trajetória e oferecendo caminhos diversificados, criando, ao mesmo tempo, condições de escolha e exigindo decisões. Infelizmente, quando começamos a organizar o processo de ensino-aprendizagem, pensamos, quase sempre, nos pré-requisitos necessários para o aluno, deixando em plano secundário determinadas condições específicas e indispensáveis para a atuação do professor como orientador do aluno." "Expressar sentimentos e emoções é uma necessidade para a saúde psicológica da criança. Essa é, apenas, uma parte da questão. É preciso que, ao longo do tempo, ela seja ajudada no aprendizado dos limites das expressões emocionais nos momentos em que isso se coadune com as necessidades de seu desenvolvimento. Nisso reside o grande trabalho dos educadores - pais ou professores: estimular a expressão e sugerir a contenção quando for requisito para o crescimento emocional e estabelecimento de relações interpessoais amadurecidas." "Respeitar o aluno como
pessoa é, antes de tudo, requisito que dará embasamento ao trabalho do
professor como educador. O respeito inclui a aceitação da criança de uma
forma incondicional. Não importam o nível intelectual, as características
estéticas ou a procedência social; ela precisa ser aceita pelo fato simples
e inquestionável de ser pessoa. " ![]() Outros livros de Luiz Schettini Filho: |